
Parece que alcançar os 100 anos é muito mais fácil quando se é mulher e mora na Bahia. É o que aponta o o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): o estado possui a maior população centenária do país, além disso, de cada 10 pessoas centenárias em território baiano, sete são mulheres, somando 3.803 ou 71,3% do total, que é 5.336 pessoas.
Há uma razão específica para esses dados? De acordo com o médico geriatra Adriano Gordillo, a expectativa de vida das mulheres possui forte influência nesses indicadores. Isso porque as mulheres se cuidam mais, realizam mais exames, além das causas externas relacionadas à violência, que fazem o público feminino viver, em média, sete anos a mais que os homens.
"As mulheres vão mais ao médico, se cuidam mais. Além disso, existem fatores relacionados à violência. O homem é mais impulsivo e as situações de violência produzem um viés nessa análise", diz Gordillo.
De acordo com a supervisora de disseminação de informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros. Três eixos são responsáveis pela extrema longevidade no estado: fatores biológicos, condições e estilos de vida.
Ao analisar o número superior de mulheres centenárias, Viveiros aponta a relação direta com o quadro de envelhecimento do público feminino baiano. "As mulheres vivem mais porque morrem menos ao longo da vida. Isso explica os dados", afirma.
Os homens se tornam minoria da população a partir dos 15 anos de idade. Ou seja, muitos nem chegam a fase adulta da vida, especialmente por conta da violência. “A partir dos 15 anos, as meninas começam a ser mais representativas e a participação aumenta conforme o avanço da idade. Isso ocorre porque as mulheres têm mortalidade menor em todas as etapas da vida”, diz Mariana Viveiros.
Os homens nascem mais, porém possuem alta taxa de mortalidade a partir dos 15 anos. Prova disso é que entre 2003 e 2021, o sexo masculino liderou a Pesquisa Estatística do Registro Civil, com diferenças anuais que variaram entre 438 e 1.573.
Larissa Neves, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança, analisa que o perfil dos homens que mais morrem em Salvador e na Bahia é formado por jovens, negros e de bairros pobres. Eles são vítimas, especialmente, de conflitos armados decorrentes da política conhecida como “guerra às drogas”.
“A letalidade policial é resultado da política de segurança pública, que é baseada na ideia de guerra, que produz o extermínio de corpos específicos. Isso traz a validação da morte de pessoas negras por meio do racismo”, analisa a pesquisadora.
Geógrafo e professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Clímaco Dias aponta mais de uma explicação para esse dado: cuidado físico reduzido por parte dos homens e questões genéticas, que já são estudadas por cientistas ao redor do mundo.
"Ainda é difícil achar uma explicação concreta. No caso da Bahia, é preciso entender onde essas mulheres centenárias estão. A que classe social pertencem essas mulheres? Também temos que entender histórias de vida de cada ser humano, para entender essa longevidade", aponta Dias, salientando que o número de mulheres centenárias superior ao de homens não é restrito somente a Bahia, mas é um reflexo do mundo.
Seis em cada 10 municípios tinham mais mulheres que homens em 2022
Ainda conforme o Censo 2022, seis em cada 10 municípios baianos tinham mais mulheres do que homens, um total de 245 cidades, ou 58,8% dos municípios do estado. Há 12 anos, o número era menor, de 36,9%, ou seja, quatro em cada 10.
Os cinco municípios baianos com maior proporção de mulheres na população são Salvador (54,4%), Itabuna (53,5%), Feira de Santana (53,4%), Cruz das Almas (53,4%) e Amélia Rodrigues (53,4%). O quinteto entra no top-22 nacional, nas respectivas posições, 2º, 16º, 17º, 20º e 22º.
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