
O Carnaval de Salvador atrai olhares de todo o mundo. As ruas se enchem de cores, música e alegria, mas uma coisa quase sempre falta: apoio aos blocos afros e afoxés. Representantes da cultura afro-brasileira, eles ainda lutam para marcar presença na folia. Como se já não bastasse a luta contra o racismo e a desigualdade, eles também encontram uma resistência constante para pertencer. E uma batalha tem a ver com a outra. Afinal, a dificuldade de colocar blocos negros na rua é reflexo da desigualdade racial.
O Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, completa 50 anos neste Carnaval. Foi meio século resistindo para promover sua cultura. Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, relata que, apesar deste ser um ano muito especial e emocionante, é também um ano difícil. Nem o marco dos 50 anos sensibilizou empresas e iniciativas privadas. “O governo e a prefeitura ajudam, mas não está muito fácil. O Carnaval hoje se chama ‘carnanegócio’, não dá mais para fazer como antes, juntar uns amigos e colocar um bloco na rua. Hoje, está muito profissionalizado”, desabafa Vovô do Ilê.
Os empresários e patrocinadores, com o poder de mudar essa realidade e cobrir os custos operacionais, parecem virar o rosto. Para Vovô, esse desafio tem nome: racismo. Afinal, o que justificaria um dos blocos mais famosos, conhecido como o mais belo dos belos, ainda ter dificuldade para desfilar? “Estamos em um bairro como a Liberdade, com grandes lojas, bancos, e ninguém ajuda. Todo mundo faz seu negócio, consome tudo na Liberdade, mas tem a dificuldade dos empresários quererem colocar a marca deles junto com a negrada”, disse.
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