Quarta, 25 de Fevereiro de 2026
Feira de Santana Júri popular

Advogada defende a própria mãe em júri popular e conquista absolvição após 12 anos de processo

“Muitos julgam pela aparência. Acham que não sou capaz. Mas me viram defendendo minha mãe – e vencendo”, concluiu.

20/05/2025 às 15h13 Atualizada em 21/05/2025 às 12h38
Por: Redação Feira Em Pauta
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Foto: Divulgação
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Em um caso inédito e emocionante ocorrido em Valença, no interior da Bahia, a advogada criminalista Camila Pitta, de 27 anos, fez parte da bancada para defender a própria mãe em um júri popular e conseguiu provar sua inocência. Rosália Pitta respondia a um processo por homicídio duplamente qualificado há 12 anos e foi absolvida após a atuação da filha no tribunal.

O julgamento aconteceu em setembro de 2024. Camila é filha única e tinha apenas 14 anos quando presenciou a prisão da mãe. “Na época, não entendia bem o que estava acontecendo. Lembro do desespero, dos policiais chegando à noite e de não saber onde minha mãe estava”, relembrou a advogada em entrevista ao programa Top News, na Rádio Povo FM.

Marcada pelo episódio, Camila decidiu cursar Direito com o objetivo de compreender o processo judicial e lutar pela liberdade de Rosália. Especializou-se em Direito Penal e atuou em sete júris antes de assumir o caso da mãe. “Foi o júri da minha vida. Nenhum outro vai se igualar a esse em emoção. Colegas experientes disseram que nunca viram algo parecido”, afirmou.

Durante o julgamento, a emoção tomou conta da sala. A leitura da sentença gerou aplausos entre os presentes. “Assistir ao vídeo depois me emocionou de novo. Eu repetia para minha mãe: ‘acabou, acabou’. Ela nem acreditava”, contou Camila.

A advogada também criticou falhas do sistema judiciário. “O Tribunal do Júri é uma roleta russa. Já vi inocentes sendo condenados e culpados absolvidos. O erro da Justiça pode custar vidas”, alertou. “No caso da minha mãe, foram 12 anos de angústia e sofrimento.”

A repercussão do caso foi imediata nas redes sociais e gerou visibilidade profissional para Camila, que viu a demanda por seus serviços crescer. “Já fechei vários contratos depois da absolvição da minha mãe. Mas o mais importante é dar voz a quem precisa. Às vezes, a pessoa é culpada, mas precisa de um julgamento justo. E, muitas vezes, é inocente e não é ouvida.”

“Muitos julgam pela aparência. Acham que não sou capaz. Mas me viram defendendo minha mãe – e vencendo”, concluiu.

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