
Eles têm pele com textura realista, cabelos implantados fio a fio, peso semelhante ao de um recém-nascido e até cheirinho de bebê. Os reborns, bonecos hiper-realistas criados inicialmente para colecionadores, viraram uma verdadeira febre entre mulheres de diferentes idades. Mas o que está por trás desse fenômeno? A psicóloga Sileuza Rocha, mestre em Processos Psicológicos Interativos dos Órgãos e Sistemas, explica os possíveis significados emocionais associados a esse tipo de objeto.
"Precisamos olhar de forma multifatorial. Muitas mulheres adquirem os reborns como uma forma de enfrentamento ao luto, perdas gestacionais, infertilidade ou solidão. Em outros casos, pode ter viés sociocultural ou até econômico, já que algumas encontram comunidades nas redes sociais ou passam a vender os bonecos, tornando-se um negócio lucrativo", analisa a especialista.
Segundo Sileuza, há contextos em que o uso do reborn tem uma função terapêutica, mesmo que informal. "Essa mulher entra em contato com a vendedora, expressa o desejo de cuidar, dar banho, embalar. Mesmo sabendo que é um objeto, ela encontra nesse gesto um alívio momentâneo para a dor da ausência. Isso pode ser um mecanismo de ressignificação da perda", explica.

Do ponto de vista psicológico, a prática pode ter benefícios, mas exige atenção. "Tudo tem um limite. Quando a mulher enxerga o reborn como um objeto transicional, ou seja, algo que a ajuda a lidar com uma perda de forma temporária, estamos dentro do que é saudável. O problema começa quando ela passa a tratar o boneco como um bebê real", alerta.
Casos em que mulheres acordam de madrugada acreditando que o reborn está com fome, tentam levá-lo à emergência ou criam rotinas como se estivessem com um filho de verdade são sinais de alerta. "Nesse ponto, avaliamos a possibilidade de dependência emocional ou fuga da realidade", afirma Sileuza.
A psicóloga realizou visitas a unidades de saúde em Feira de Santana, como a Policlínica da Rua Nova, a do Feira X e a UPA da Queimadinha, e compartilha uma observação relevante: "O que constatei é que a mulher feirense, em sua maioria, está lidando com filhos reais e desafios concretos, como adoecimento infantil e dificuldades socioeconômicas. Não há, ao menos nesses espaços, uma demanda significativa relacionada aos bebês reborns."
Apesar da crescente popularidade dos bonecos, não há ainda regulamentação que reconheça oficialmente seu uso terapêutico. “É uma febre recente. Embora os reborns existam há algum tempo, esse boom atual ainda não chegou aos consultórios como uma demanda frequente”, esclarece.
Para oferecer suporte emocional mais efetivo a essas mulheres, o primeiro passo, segundo Sileuza, é identificar a função que o reborn ocupa na vida delas. "É preciso entender se se trata de uma forma saudável de lidar com uma dor, de um hobby inofensivo, de uma integração social em comunidades virtuais ou de um indicativo de fuga da realidade. O limite que a mulher impõe ao uso desse objeto é o que determina se há, ou não, um adoecimento emocional", conclui.
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