Sexta, 11 de Setembro de 2026
Feira de Santana Greve dos bancário

Greve dos bancários paralisa unidades da Caixa e do Banco do Brasil em Feira de Santana

Bancários rejeitaram propostas apresentadas pelos bancos e reivindicam reajuste salarial, melhores condições de trabalho, contratação de funcionários e mudanças específicas na Caixa e no Banco do Brasil.

11/09/2026 às 06h46
Por: Redação Feira Em Pauta
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Foto: Onildo Rodrigues
Foto: Onildo Rodrigues

A greve dos bancários chegou a 100% das unidades e departamentos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em Feira de Santana, segundo o Sindicato dos Bancários do município. A paralisação teve início nesta quarta-feira (10) e foi deflagrada após a categoria rejeitar, em assembleia, as propostas apresentadas pelos bancos durante as rodadas de negociação.

Em entrevista ao Jornal Trans Brasil, o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado, explicou que a categoria apresentou uma pauta de reivindicações no início de julho e, desde então, participou de mais de 13 rodadas de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e com a direção dos bancos públicos.

Segundo o sindicalista, também foram realizadas mais de 18 rodadas específicas com a Caixa e o Banco do Brasil, mas, na avaliação da categoria, não houve avanços suficientes.

“Nós entramos em greve porque a direção desses bancos não aceitou dar uma proposta que atendesse aos nossos anseios no que diz respeito à valorização salarial, condições de trabalho dignas, abertura de mais agências e contratação de mais funcionários”, afirmou Eritan.

Sindicato aponta sobrecarga e necessidade de novas contratações

Entre as principais reivindicações estão o reajuste salarial, melhores condições de trabalho, contratação de novos funcionários e ampliação do número de agências.

Eritan Machado destacou que a demanda pelo atendimento presencial continua elevada, apesar da expansão dos serviços digitais. Para ele, a falta de trabalhadores contribui para o aumento das filas e para a sobrecarga dos bancários.

“Qualquer ida a um banco hoje aqui em Feira de Santana não se perde menos de uma hora”, afirmou. Segundo ele, a contratação de novos profissionais poderia melhorar o atendimento à população e, ao mesmo tempo, reduzir os casos de adoecimento relacionados à sobrecarga de trabalho.

O sindicato também defende a abertura de novas agências como forma de ampliar o atendimento presencial e gerar novas oportunidades de emprego, especialmente para jovens que buscam ingressar no mercado de trabalho formal.

Adesão à greve

De acordo com o presidente do sindicato, no primeiro dia de paralisação todas as unidades e departamentos da Caixa e do Banco do Brasil em Feira de Santana tiveram as atividades afetadas.

“Nós fechamos 100% das unidades e departamentos da Caixa e do Banco do Brasil. A maior parte dos colegas, praticamente por unanimidade, aderiu”, declarou.

Eritan ressaltou que a mobilização tem como objetivo pressionar as direções dos dois bancos a retomarem as negociações e apresentarem novas propostas para as reivindicações específicas dos trabalhadores.

Atendimento durante a paralisação

Sobre os serviços que continuam disponíveis durante a greve, Eritan explicou que a legislação considera essencial, no setor bancário, a atividade de compensação bancária.

Segundo ele, os caixas eletrônicos continuam funcionando para operações como depósitos e outros serviços disponíveis pelos terminais. O sindicato também afirma estar mantendo equipes de orientação em frente às agências paralisadas para auxiliar os clientes.

O dirigente orientou aposentados, pensionistas e demais correntistas a consultarem os canais oficiais de cada instituição financeira para obter informações sobre pagamentos, saques e demais serviços que podem ser realizados durante a greve.

Ele reconheceu que a paralisação pode causar transtornos aos clientes, mas argumentou que as reivindicações também têm relação com a qualidade do atendimento oferecido à população.

“A nossa pauta não é apenas para a nossa categoria. É também pelos clientes, porque um trabalhador que trabalha sob pressão e com sobrecarga não consegue prestar um serviço de qualidade”, afirmou.

Proposta salarial e reivindicações específicas

De acordo com Eritan Machado, a categoria reivindicava a reposição da inflação medida pelo INPC acrescida de 5% de aumento real. A proposta apresentada pela Fenaban, segundo o sindicato, prevê o INPC mais 0,6% de aumento real.

Ele explicou que a proposta foi aceita por trabalhadores de bancos privados e também pelo Banco do Nordeste, mas que as negociações com Caixa e Banco do Brasil permanecem travadas principalmente por questões específicas de cada instituição.

No Banco do Brasil, entre os pontos de divergência estão questões relacionadas ao plano de cargos e remuneração, promoções, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e plano de saúde.

Na Caixa Econômica Federal, um dos principais pontos de resistência é a proposta para o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Segundo o sindicato, a categoria considera que as mudanças propostas podem comprometer a sustentabilidade financeira do plano.

Também estão em discussão questões relacionadas às condições de trabalho nas agências e nos departamentos da Caixa.

Decisão sobre a continuidade da greve

A continuidade do movimento depende das assembleias realizadas pelos trabalhadores. Segundo Eritan, os funcionários do Banco do Brasil foram convocados para votar sobre a manutenção da greve ou a aceitação da proposta apresentada pela instituição.

No caso da Caixa, os trabalhadores também seriam consultados por meio de assembleia virtual.

O presidente do sindicato afirmou que a paralisação continuaria no dia seguinte e que qualquer eventual mudança no movimento ocorreria posteriormente, conforme o resultado das votações.

Eritan Machado destacou ainda que a categoria não pretende encerrar a greve sem que seja apresentada uma proposta considerada capaz de atender às principais reivindicações dos trabalhadores. Caso não haja acordo, segundo ele, o conflito poderá ser levado à Justiça do Trabalho para mediação.

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