Quarta, 04 de Novembro de 2026
Geral Banco Central

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após crise financeira

Banco digital Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, teve seu índice de solvência, que mede a capacidade de pagar suas dívidas, reduzido para menos da metade do mínimo exigido

04/11/2026 às 11h55
Por: Redação Feira Em Pauta
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Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial/Metropress
Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial/Metropress

A crise financeira do banco digital Ueno, que tem cerca de 3 milhões de clientes no Paraguai, provocou a renúncia do presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). O caso também aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, já que a instituição enfrenta dificuldades financeiras, investigações e suspeitas sobre sua administração.

O Ueno, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, teve seu índice de solvência, que mede a capacidade de pagar suas dívidas, reduzido para menos da metade do mínimo exigido após mudanças em seus balanços. Diante disso, o Banco Central iniciou medidas para proteger os clientes. O Ministério Público também solicitou uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição.

A crise também envolve possíveis conflitos de interesse. Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023, enquanto Peña foi sócio do grupo controlador do banco até março de 2025. A instituição é controlada majoritariamente pelo Grupo Vázquez e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Nesta terça, clientes encontraram agências fechadas e cobraram acesso ao dinheiro, entre eles aposentados que recebem benefícios pelo banco.

Medidas para conter a crise

Para evitar prejuízos aos depositantes, Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que permite utilizar o Fundo de Garantia do país para devolver os valores. A medida também pretende assegurar o pagamento de recursos públicos mantidos no banco, incluindo quantias do instituto de seguridade social IPS e de outros fundos de previdência.

Saída no Banco Central

O presidente paraguaio afirmou que o problema está restrito ao Ueno e não representa uma crise de todo o sistema financeiro. Enquanto isso, Carvallo anunciou que deixará o comando do Banco Central, mas permanecerá no cargo durante o procedimento de intervenção na instituição. A saída, segundo ele, busca reduzir as disputas políticas e permitir que os órgãos reguladores conduzam a fiscalização. A crise também atingiu o mercado financeiro, com queda no valor dos títulos do banco e pressão sobre os papéis da dívida paraguaia.

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