
A cesta básica, definida pelo Decreto-Lei Nº 399, de 30 de abril de 1938, que estabelece 12 produtos alimentares (arroz, feijão, farinha, carne, tomate, banana, óleo, café, leite, açúcar, pão e manteiga) e suas respectivas quantidades, passou a custar R$ 501,54 no mês de outubro de 2023, em Feira de Santana. Este valor representou uma redução expressiva de 3,21% em comparação com o mês de setembro e foi o quarto mês seguido de queda do valor da cesta. A redução verificada está em consonância com o comportamento dos preços dos produtos do gênero, tais como expresso pelo grupo de alimentos e bebidas do IPCA -15 de outubro, que registrou queda de 0,31%.
Segundo o estudo do programa Conhecendo a economia feirense: custo da cesta básica e indicadores socioeconômicos, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), coordenado por pesquisadores do curso de Ciências Econômicas, comparativamente ao mês anterior, o tomate, o feijão e o leite foram os principais responsáveis pela queda do valor da cesta, com reduções de 19,35%, 6,83% e 5,62% nos preços médios, respectivamente. Além desses, outros produtos contribuíram para essa baixa como a manteiga (com uma redução de 3,25%), o café e o óleo com quedas de 1,16% e 0,9%, respectivamente. Todavia, podemos observar aumento nos preços médios da banana-prata (7,14%), do arroz (2,38%), da carne (2,04%), do pão (1,52%) e do açúcar (0,24%).
No último trimestre (agosto/setembro/outubro), o preço da cesta básica caiu 7,47%. Dos 12 produtos que a compõem, nove apresentaram queda de preço médio. As maiores reduções foram observadas para o tomate (-22,38%), e o feijão (-18,62%). Já os aumentos mais expressivos no trimestre foram registrados para o pão (5,39%) e o arroz (4,46%). Apesar da queda no trimestre, nos últimos 12 meses (outubro de 2022 a outubro de 2023), a cesta básica ainda registrou incremento de 1,93%, porém bem abaixo dos 4,42% observado nos 12 meses anteriores (setembro de 2022 a setembro de 2023). A redução dos preços da cesta básica nos últimos meses pode estar relacionada à sazonalidade dos preços dos alimentos em decorrência da finalização da safra de inverno, contribuindo para a queda acumulada de 3,02% nos preços de janeiro a outubro deste ano.
Sobre a evolução do valor da cesta básica em Feira de Santana nos últimos doze meses, ao longo desse tempo, houve períodos de elevação e redução dos preços médios, chamando atenção a queda contínua observada a partir de junho de 2023. Esse movimento de recuo, todavia, ainda não foi suficiente para trazer o valor médio da cesta ao nível vigente há doze meses, e isso explica a linha vermelha ascendente.
O estudo ainda mede a participação percentual de cada alimento (preço médio x quantidade estabelecida) na despesa total do feirense com a aquisição da cesta básica. O gasto médio com o almoço tradicional, composto por arroz, feijão, carne e farinha, representou em outubro 36,52% do valor alocado na aquisição da cesta básica do cidadão, resultando em um gasto de 1,2 ponto percentual maior que o observado no mês anterior (35,32%). Já o custo do café da manhã, constituído de pão, manteiga, café, leite e açúcar, absorveu 36,99% do orçamento com a alimentação básica, participação um pouco superior àquela do mês de setembro (36,24%). Nota-se que, tal como nos dois meses anteriores, ainda persiste o maior peso do café da manhã relativamente ao almoço no custo da alimentação.
Considerando individualmente cada alimento, a carne, o pão e o tomate permaneceram como os principais itens de dispêndio do cidadão feirense com a cesta, respondendo por 22,47%, 17,55% e 14,86%, respectivamente. Registre-se que a carne e o pão aumentaram seu peso relativo no custo da alimentação básica comparativamente ao mês anterior (21,31% e 16,73%, na mesma ordem).
No que concerne à participação dos alimentos da cesta básica no salário mínimo líquido vigente (salário mínimo descontado da contribuição previdenciária de 7,50%), verifica-se que, em outubro, o trabalhador de Feira de Santana comprometeu 41,08% de seu rendimento com a compra dos 12 produtos da cesta. Esse resultado é 1,36 pontos percentuais inferior ao calculado no mês de setembro (42,44%) e 3,88 pontos percentuais menor do que o registrado em junho de 2023 (44,96%), quando a cesta básica atingiu seu mais alto valor. O movimento de recuo dos preços médios dos últimos quatro meses tem provocado também redução do tempo de trabalho necessário para a compra dos produtos da cesta, que passou a 90 horas e 22 minutos neste mês frente às 98 horas e 55 minutos registradas em junho de 2023.
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