
Servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Feira de Santana, reclamam o não recebimento do pagamento pelo trabalho na Micareta 2023 e avisam a sociedade feirense que caso o pagamento, que tem um ano de atraso, e outras várias pautas, como o sucateamento das ambulâncias, não sejam atendidas e negociadas até quarta-feira (17), um dia antes do início das Micareta, irão suspender as atividades.
"Nós enviamos um ofício através do Sindimed para poder reivindicar nossas pautas. Uma das nossas reivindicações foi o pagamento do extra da Micareta do ano passado que não foi feito. O argumento deles é que tinha muita hora extra no contracheque para receber e por conta disso não conseguiu efetuar. Outro dos pontos principais, foi um REDA que foi feito na tentativa de substituir a gente que já tem 20 anos e o pessoal do REDA ainda entrou com salário maior do que quem já estava no serviço desempenhando as mesmas funções. Outra das nossas reivindicações é sobre materiais das ambulâncias que estão totalmente danificados. Não tem nada na ambulância, coisas básicas, como dipirona falta. Agora que estão fazendo as reposições depois das denúncias", diz a servidora que preferiu não ser identificada por medo de retaliação.
A profissional de enfermagem conta que foi feito um documento (cujas cópias a redação do Folha do Estado teve acesso) depois de tentar inúmeras vezes contato e negociação com a coordenação geral da instituição sem sucesso. "Sempre relatando as dificuldades. A coordenação sempre sabe o que falta e o que não falta no serviço, isso é fato! Depois disso a gente decidiu se mobilizar e fazer as denúncias, procuramos a coordenação amigavelmente e não fomos atendidos. Depois de muita luta, muita mediação com o líder do governo e após a gente ir para Câmara, o vereador Jhonatas Monteiro foi quem nos apoiou, que foi fazer a fiscalização da denúncia que foi feita e constatou que tudo que falamos procedia, tendo vídeos nas redes sociais postados por populares mostrando também as deficiências do serviço, tudo que não é reparado. O sindicato orientou a gente que tínhamos o direito de fazer a paralisação e a greve. Depois disso, a coordenação geral decidiu nos atender, junto com o líder do governo, mas não atendeu nenhuma das nossas pautas".
Além das más condições de trabalho, falta de diálogo, os servidores alegam passar por perseguição e retaliação direta por conta das reivindicações.
"Tem um pessoal que atende o telefone que trabalhou por 14/16 anos, em uma escala de regime 12/36 de plantão e depois que teve esse REDA e não puderam nos substituir porque entramos na justiça buscando estabilidade trabalhista e o juiz nos concedeu o direito de permanecer no serviço enquanto durar o projeto como está no nosso contrato. Entretanto, como forma de retaliação, ela alterou a escala da pessoa de 12 horas e colocou para 6 horas e assim, quem trabalhava 14 períodos, passou a trabalhar por 28 períodos. Então uma das pautas é essa, pedir o retorno da escala, mas ela disse que não tinha como. Nessa mudança de escala, um direito do trabalhador, o auxílio alimentação, foi retirado também do pessoal, em média de R$ 400 foi tirado", reclama.
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