Quarta, 29 de Julho de 2026
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Rússia acusa fundador do Telegram de facilitar terrorismo e emite mandado de prisão

Telegram permanece amplamente utilizado na guerra entre Rússia e Ucrânia

29/07/2026 às 08h30
Por: Redação Feira Em Pauta
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Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Foto: Carlos Henrique Dias/g1

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou nesta quarta-feira (29) que apresentou acusações contra o fundador e diretor-executivo do Telegram, Pavel Durov, por supostamente facilitar atividades terroristas. O órgão também informou que emitiu um mandado internacional de prisão contra o empresário.

De acordo com o FSB, a investigação sustenta que o Telegram não retirou do ar conteúdos que, segundo as autoridades russas, eram utilizados por serviços de inteligência da Ucrânia e por grupos classificados como terroristas e extremistas para planejar atos de sabotagem, terrorismo, ataques em massa e fraudes cibernéticas em território russo.

A única manifestação pública relacionada ao caso partiu da conta oficial do Telegram na rede X, que publicou uma imagem do executivo fazendo um gesto obsceno com o dedo médio. O paradeiro do empresário também não foi divulgado.

O fundador da plataforma chegou a ser preso na França, em agosto de 2024, mas foi liberado poucos dias depois. Atualmente, ele também é alvo de uma investigação conduzida pelas autoridades francesas, que o acusam de não combater adequadamente atividades criminosas no aplicativo e de cooperar de forma insuficiente com pedidos das forças de segurança. Durov nega as acusações.

Criado em 2013, o Telegram afirma ter mais de 1 bilhão de usuários em todo o mundo e se tornou uma das principais plataformas de comunicação utilizadas por ambos os lados da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Nos últimos anos, o governo de Vladimir Putin intensificou as tentativas de limitar o uso do aplicativo no país e passou a incentivar a adoção do Max, serviço estatal de mensagens. Apesar disso, órgãos oficiais, como o Kremlin e o Ministério da Defesa, seguem utilizando o Telegram para divulgar comunicados diariamente.

Nascido na Rússia, Pavel Durov possui atualmente cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França. Antes de criar o Telegram, ele fundou a rede social VKontakte, considerada a versão russa do Facebook, da qual vendeu sua participação em 2014 após, segundo ele, sofrer pressão das autoridades russas.

O anúncio do FSB ocorre meses depois de a imprensa estatal russa informar que Durov era investigado em um caso relacionado ao terrorismo. Em abril, o empresário revelou que uma intimação destinada ao "Suspeito P.V. Durov" havia sido entregue ao apartamento onde morou na Rússia duas décadas antes.

Na ocasião, ele ironizou a situação ao afirmar que poderia estar sendo investigado por defender os artigos 23 e 29 da Constituição russa, que garantem o direito à privacidade das comunicações e à liberdade de expressão.

As publicações mais recentes feitas por Durov em seu canal no Telegram indicam que ele esteve em Dubai, em maio, e na Geórgia, em julho, quando afirmou ter ficado impressionado com o país e disse que pretendia retornar em breve.

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