
A perda de memória recente, principalmente quando começa a interferir nas atividades do dia a dia, está entre os principais sinais de alerta para a doença de Alzheimer. Esquecer que tomou café da manhã, que tomou banho, repetir várias vezes uma mesma informação ou não se lembrar de acontecimentos recentes são situações que, quando passam a ocorrer com frequência, devem ser investigadas. O alerta foi feito pelo neurologista Tarsis Farias durante entrevista ao site Olá Bahia, na qual falou sobre os sintomas, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e formas de preservar a saúde do cérebro.
Segundo o especialista, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa relacionada a alterações que ocorrem no cérebro, entre elas o acúmulo de determinadas proteínas nos neurônios, células responsáveis por diversas funções cognitivas. A memória costuma ser uma das funções mais afetadas no início da doença.
“Usualmente a doença de Alzheimer se manifesta primariamente com perda de memória. Mas não é qualquer tipo de memória. Geralmente está associada principalmente à memória recente”, explicou Tarsis Farias.
O neurologista ressaltou que o avanço da idade é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença. O risco aumenta especialmente a partir dos 60 anos. Ele também explicou que, embora a genética tenha influência, ter um familiar com Alzheimer não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá a doença.
Existem, segundo o médico, casos específicos e mais raros em que a doença apresenta uma forte determinação genética e pode atingir pessoas mais jovens, com histórico de vários integrantes da família diagnosticados precocemente. Na maioria dos casos, porém, a doença não é determinada exclusivamente por fatores genéticos.
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Foto: Onildo Rodrigues
O diagnóstico também exige atenção. De acordo com Tarsis Farias, não existe um único exame capaz de confirmar sozinho a presença do Alzheimer. A investigação começa pela consulta com um profissional especializado, principalmente neurologista ou geriatra, que avalia o histórico do paciente, realiza testes de memória e verifica outras funções cognitivas.
A partir dessa avaliação, o médico pode solicitar exames complementares para confirmar ou descartar a possibilidade de Alzheimer e também investigar outras doenças que podem provocar alterações na memória.
Atualmente, ainda não existe cura para a doença de Alzheimer. No entanto, o especialista destaca que houve avanços importantes no tratamento nos últimos anos. Os medicamentos disponíveis podem ajudar a retardar a evolução dos sintomas e novas terapias continuam sendo estudadas.
“Infelizmente nós ainda não temos uma cura para a doença. Esperamos que em breve isso possa acontecer. Houve muito avanço no tratamento da doença, principalmente nos últimos anos”, afirmou o neurologista.
Além dos medicamentos e do acompanhamento médico, hábitos de vida também podem contribuir para a preservação da saúde cerebral. Atividades intelectuais, como estudar e ler, além de manter a mente ativa ao longo da vida, podem contribuir para uma maior reserva cognitiva. A prática regular de exercícios físicos também é apontada como importante para a qualidade de vida e para a prevenção de diferentes doenças degenerativas.
O especialista também chamou atenção para os esquecimentos em pessoas jovens. Segundo ele, nessa faixa etária, as alterações de memória geralmente estão relacionadas a outros fatores e não necessariamente representam um risco maior de Alzheimer.
Sobrecarga de atividades, dificuldade de concentração, ansiedade, alterações de humor, quadros depressivos e até determinados medicamentos podem interferir na memória. Por isso, episódios frequentes de esquecimento devem ser avaliados individualmente.
A orientação é observar principalmente quando a perda de memória deixa de ser um episódio ocasional e começa a comprometer a rotina. A identificação precoce permite investigar a causa dos sintomas e, caso seja necessário, iniciar o acompanhamento adequado.
Durante a entrevista, Tarsis Farias informou que atende na Clínica Argos, na região da Maria Quitéria, e na Clínica CMI, localizada no edifício Metropolitan Center, em Feira de Santana. O neurologista também mantém perfil nas redes sociais pelo endereço @drtarsisfarias
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