
As equipes de resgate retomaram nesta sexta-feira (28) as buscas na região entre o Nepal e o Tibete, na China, atingida por uma avalanche de grandes proporções na última quarta-feira (26). O desastre já deixou 494 mortos, sendo 489 no Nepal e cinco no Tibete, e quase mil pessoas continuam desaparecidas. As operações haviam sido interrompidas temporariamente após o transbordamento de um lago formado por uma barreira natural, mas foram reiniciadas com a melhora das condições.
Segundo informações da Reuters, autoridades do distrito de Rasuwa, no Nepal, receberam um alerta sobre o transbordamento do lago. O nível do rio voltou a subir, aumentando a preocupação com uma nova inundação na região. O Exército nepalês confirmou a retomada dos trabalhos com helicópteros.
A tragédia atingiu áreas próximas ao rio Bhote Koshi e à passagem de Gyirong, importante ligação entre o Nepal e o Tibete. A enxurrada arrastou água, lama, pedras e blocos de gelo, destruindo estradas e pontes e dificultando o acesso das equipes às comunidades afetadas.
Centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos, já que a região é procurada por turistas e peregrinos que seguem para o Monte Kailash e o lago Manasarovar. Entre os desaparecidos no Nepal há cidadãos de países como Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá.
O desastre ocorreu durante a temporada de monções, marcada por fortes chuvas no Nepal. A principal hipótese é que o colapso de uma geleira tenha iniciado a sequência de eventos que provocou a enchente. Especialistas também alertam que o aquecimento do Himalaia pode favorecer o derretimento de geleiras e a formação de lagos, embora ainda não seja possível relacionar diretamente as mudanças climáticas à tragédia.
Além das buscas, autoridades mantêm o alerta para novos deslizamentos e inundações. Um bloqueio de detritos permanece em uma área elevada do rio na fronteira entre os dois países, o que pode provocar uma nova onda de inundação.
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