Quinta, 24 de Setembro de 2026
Bahia tráfico

Saiba quem são os investigados por tráfico e movimentação de milhões na BahiaSaiba quem são os investigados por tráfico e movimentação de milhões na Bahia

Grupo investigado é suspeito de comercializar drogas, ocultar recursos e usar empresas e contas de terceiros; entre os clientes identificados estão profissionais de alto poder aquisitivo

24/09/2026 às 09h48
Por: Redação Feira Em Pauta
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Foto: Divulgação/PF
Foto: Divulgação/PF

Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia contra uma rede suspeita de distribuir drogas para consumidores de alto poder aquisitivo. Entre os investigados estão apontados líderes do grupo, distribuidores regionais e suspeitos de atuar no armazenamento de entorpecentes, na logística e na movimentação financeira.

A operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e registrou duas prisões em flagrante. As ações ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, além de um mandado contra um alvo que já estava preso no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe.

Quem são os investigados

Erik Castro Gusmão Seixas é apontado como o principal alvo da operação. Segundo a investigação, ele comercializava diferentes variedades de maconha pelo Instagram e utilizava uma empresa individual de fachada, contas de terceiros e o nome da avó para registrar veículos de alto padrão e ocultar valores. Também teria negociado arma de fogo. Erik foi alvo de mandado de prisão preventiva e acabou preso em flagrante com drogas.
Luan Costa da Silva é apontado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com atuação em Santo Antônio de Jesus. A investigação indica que ele administrava a logística de remessas de grandes quantidades de entorpecentes e teria negociado a venda de uma pistola Glock com Erik. Para isso, utilizaria contas e linhas telefônicas de terceiros.
Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes é investigado por atuar na distribuição regional em Vitória da Conquista e cidades próximas. Conforme a apuração, ele fornecia orientações a Erik sobre formas de esconder drogas durante o transporte, incluindo o acondicionamento a vácuo em potes de creme para dificultar a identificação do odor.
Laisa Franca Lacerda é suspeita de disponibilizar a própria residência para armazenamento e retirada de drogas por compradores. Ela também teria participado da movimentação financeira do grupo, com mais de R$ 180 mil transferidos por meio de contas pessoais e de uma empresa de fachada.
Matheus Ribeiro Mello do Nascimento é apontado como alguém que passou de comprador a revendedor. Segundo a investigação, ele intermediava negociações para terceiros e procurava fornecedores no Paraguai. O comércio de drogas ocorreria em sua residência, com uso do veículo do pai e de contas de outras pessoas para dissimular pagamentos.
Marcelo Botelho Reis foi preso em flagrante com uma arma de fogo. A investigação aponta indícios de que ele adquiria drogas para revenda e teria movimentado mais de R$ 46 mil com Erik. Marcelo também possui histórico criminal, incluindo prisões anteriores por tentativa de aquisição de “heroína caipira”.
Tyago de Assis Conceição teve um mandado cumprido no sistema prisional de Sergipe. Ele é apontado como fornecedor de drogas. A investigação financeira identificou um padrão de transações no qual recebia de Erik valores superiores aos que pagava. Seu CPF está vinculado à empresa Xalove Mouse, inapta desde 2022. Tyago também é alvo de outra investigação de combate ao tráfico, a Operação ZIMMER.
Guilherme Rodrigues de Oliveira é sócio único da empresa Metalnor, também identificada como Gold Auto Peças. Segundo a investigação, ele apresentou o maior volume individual de movimentação financeira entre os citados, de R$ 281.715,40. A empresa seria de fachada e não manteria atividade real desde 2023, sendo utilizada para integrar e dispersar recursos suspeitos. Até o momento, não foi identificado vínculo direto dele com a comercialização de entorpecentes.
Camila Ingrid Dourado Bezerra é apontada como namorada de um dos alvos, identificado como Luccius. Ela foi presa em flagrante após uma grande quantidade de drogas ser encontrada em sua residência.
Robson Siqueira Reis teve um mandado de prisão cumprido. O material da investigação não apresenta detalhes sobre a função que ele teria desempenhado na estrutura do grupo.
Principal alvo movimentou R$ 9,6 milhões

De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o principal alvo foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. A investigação aponta que ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

A apuração financeira identificou movimentações superiores a R$ 9,6 milhões em cinco anos, distribuídas em mais de 16,6 mil transações bancárias. Empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar os valores.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, o grupo utilizava redes sociais para negociar drogas, recebia pagamentos principalmente via PIX e realizava entregas discretas. Entre os consumidores identificados estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.

Os entorpecentes eram anunciados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. A apuração também identificou suspeitas de uso de empresas e contas de familiares ou terceiros para ocultar recursos.

Durante a operação, foram apreendidos entorpecentes, celulares e documentos. As medidas patrimoniais alcançaram oito veículos e uma motocicleta, avaliados em mais de R$ 1,1 milhão, segundo a tabela FIPE.

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