
O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) tem se destacado como líder na captação de órgãos na Bahia, ocupando também o primeiro lugar no estado em diagnósticos de morte encefálica. Neste mês, o auditório do HGCA sediou o 1º Encontro de Enfermagem da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Feira de Santana. O evento reuniu profissionais de enfermagem, estudantes e gestores de saúde para debater sobre a doação de órgãos e transplantes, com o intuito de melhorar a qualidade dos órgãos ofertados.
Mirela Andrade, enfermeira e coordenadora da OPO do HGCA, explicou a motivação por trás do encontro. “A ideia surgiu da necessidade de envolver a equipe de enfermagem no processo de diagnóstico de morte encefálica. Em 2023, tivemos um grande número de doações, mas alguns órgãos não puderam ser aproveitados devido à qualidade dos mesmos e às condições dos doadores. Com o apoio da Dra. Elissama Sena, coordenadora médica da OPO, decidimos focar na manutenção adequada dos potenciais doadores para aumentar a qualidade dos órgãos”, comentou.
De acordo com o Registro Baiano de Transplantes (RBATX), a Bahia alcançou 12,5 pontos em doações de órgãos em 2023, enquanto a média nacional foi de 19,6 pontos. Esse desempenho expressivo se deve, em grande parte, ao trabalho das equipes de CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes) e da OPO. “Nos intensificamos na busca ativa de pacientes em protocolo de morte encefálica, não só no Clériston, mas também em toda a nossa região, identificando e avaliando os pacientes de acordo com os critérios do Conselho Federal de Medicina (CFM)”, destacou Elissama Sena.
O RBATX estabeleceu metas ambiciosas para 2024, incluindo aumentar as notificações em 50% e reduzir a negativa das famílias em 10%. “Em janeiro, desenvolvemos um plano estratégico para alcançar essas metas, começando com o encontro de enfermagem realizado aqui. Além disso, planejamos outros cursos e capacitações, focando no acolhimento e na entrevista familiar, com a ajuda dos meios de comunicação para informar corretamente sobre os processos de doação”, afirmou Mirela Andrade.
Em 2023, a Bahia registrou um recorde de 177 doações, com 80% dos doadores sendo homens e 20% mulheres, na faixa etária de 50 a 64 anos. O HGCA lidera em notificações de morte encefálica entre as 46 unidades do estado devido à sua posição como referência em tratamento de traumas. “Em 2023, notificamos 111 casos de morte encefálica no Clériston Andrade, graças à nossa busca ativa de potenciais doadores”, explicou Elissama Sena.
“O sentimento é de muito orgulho por fazer parte dessa equipe incansável. O Clériston foi a unidade que mais notificou protocolos e mais doou na Bahia. Estamos entre os três que mais realizaram doações no estado, mas somos os primeiros em notificação e doação de órgãos, com o objetivo de transformar esses protocolos em novas vidas”, concluiu Mirela Andrade.
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