
A Universidade Estadual de Feira de Santana tem um “levantamento” acerca de uma possível restauração para o antigo restaurante Carro de Boi, no Centro de Cultura Amélio Amorim. Esta informação foi dada ontem (17), por um grupo de arquitetos presentes na Reunião Ampliada da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal para tratar da preservação do patrimônio arquitetônico histórico da cidade. Mestrandos em Desenho, Cultura e Interatividade, na UEFS, os profissionais defendem a proposta de restauração deste equipamento e também das instalações onde, no passado, funcionou uma escola pública, ali próximo.
Referindo-se especificamente ao prédio que funcionou como unidade de ensino, os mestrandos entendem que, uma vez reconstruído, poderia ser aproveitado pela própria universidade.
Para os arquitetos, alguns deles urbanistas, o processo de preservação dos imóveis de valor histórico passa por um trabalho de conscientização dos proprietários, pois muitos deles não sabem a real importância desse patrimônio. Em relação aos prédios que são utilizados como estabelecimentos comerciais, o grupo propõe a padronização de totens e letreiros, que dificultam uma formação identitária.
O problema de poluição visual também foi criticado pelo vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico, fotógrafo e pesquisador Ângelo Pinto: “precisamos de regras”. Ele criticou a atuação do IPAC em Feira de Santana e até mencionou um fato em que o órgão teria usado de “dois pesos e duas medidas” no tratamento de problemas verificados na Igreja dos Remédios e no correto da praça Bernardino Bahia, ambos no centro da cidade. “Impediu o deslocamento do cruzeiro da igreja, por 30 centímetros, e nada fez para conter as obras que desfiguraram o coreto”, disse ele, demonstrando-se indignado.
Os arquitetos em mestrados na UEFS apresentaram preocupação com vários aspectos relacionados à atenção das instituições responsáveis pelo patrimônio histórico no município, a exemplo da ausência de fiscalização à reforma e restauro dos imóveis; a necessidade de tombamento de prédios que sediam as filarmônicas 25 de Março e Vitória, mais o Montepio dos Artistas Feirenses e a necessidade de concurso público, pela Prefeitura, para que o Município possa contar com arquitetos urbanistas em seus quadros.
Além de anunciar a elaboração de um plano de ação para a preservação do patrimônio arquitetônico feirense, o presidente da Comissão de Educação e Cultura, Jhonatas Monteiro, disse que é preciso um olhar para além do chamado “centro antigo” de Feira. Segundo ele, locais como o Najé (ladeira que dá acesso ao bairro Sobradinho), o Marajó e a Rua Nova carecem de maior atenção em vista de seus imóveis, menos robustos, mais populares, mas também importantes do ponto de vista histórico. A arquiteta Tamires Aguiar considera estratégico um projeto que possa atrair renda para esses imóveis, forma de viabilizar a sua preservação. Ela cobrou da classe dos arquitetos formar uma “frente forte” para participar deste processo.
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