
Nesta sexta-feira, dia 6 de março, no Miss Brown Café, a partir das 19h, Franciel Cruz entra em campo para lançar seu segundo livro de crônicas. Sob o título/pergunta “Tá pensando que tudo é futebol?”, ele faz, em 49 textos, um bem-humorado chamamento à reflexão sobre os descaminhos do jogo de bola e da vida, além de convidar o leitor a bailar, a se deixar encantar pela mágica do drible e outros artifícios que hoje parecem antiquados.
Conforme sublinha o jornalista e escritor Douglas Ceconello , “Franciel é mestre na arte de fingir que vai para um lado e sair para o outro: ameaça que vai falar sobre as desventuras do mitológico zagueiro Pedro 500 ou sobre a ‘energia ancestralmente poderosa do Santuário do Barradão’, mas na verdade está nos chamando para conversar, munido de megafone ou ao pé do ouvido, sobre as mais relevantes questões da existência, como os sonhos que pedem divórcio assim, de repente, e a miragem de uma velha Fonte Nova que simboliza a beleza e a ruína que podemos alcançar – que, na verdade, nos alcançam”.
Ele faz isso sem esquecer a adversidade do cenário. Afinal, nos últimos anos, o aumento do vigor físico no futebol tem sido inversamente proporcional à possibilidade de nos surpreendermos dentro das 4 linhas. O jogo de bola e a vida se transformaram em uma espécie de corrida de cavalos. Além da correria cartesianamente desabalada, o VAR/ passou a decidir a peleja por um dedo mindinho ou por um nariz de vantagem. Atualmente, se substituiu a imprevisibilidade pela máquina de calcular. Tudo passou a ser milimetricamente computado, quantificado. E, nas cabines de rádios, nas (mal) ditas redes sociais e em outros lugares insalubres, pontificam os cabeças de planilha.
Antevendo estes desmantelos, o autor informa que, desde sempre, para combater estas e outras infâmias que tentam nos acorrentar, nos moldar, se guia pela filosofia trágica de Garrincha, gênio que ele viu em ação na sua infância querida que os anos não trazem mais. Qual seja. “Vou tentando uma jogada de efeito, tropeçando e zombando, cotidianamente, das minhas mortes e vidas severinas. E juntando as pedras, os cacos, e subindo e descendo o morro no inútil trabalho de Sísifo”.
Nesta árdua e insalubre caminhada, usa como antídoto a celebração. Aprendeu com Beto Sem Braço que o que espanta a miséria, seja nas 4 linhas ou no cotidiano, é a festa. Por isso, o livro será lançado com um Talk Show com a apresentação do produtor cultural Roberto Martins. Calce sua chuteira metafórica e venha pra este jogo dos sonhos.
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